General Ricardo Durão

O General Ricardo Durão integrou o grupo à volta do qual se organizou o encontro Memórias Olímpicas de Portugal organizado pelo Centro de Estudos de Desenvolvimento do Desporto – Noronha Feio no dia 28 de Novembro de 2019 uma homenagem prestada aos olímpicos portugueses mais antigos e em vida. Representou Portugal nos Jogos Olímpicos de Helsínquia, no pentatlo, e no Campeonato Europeu em pentatlo militar, em França, no ano de 1955. Atleta completo praticou vários desportos na sua juventude tais como atletismo (foi campeão escolar no salto em altura, em 1945, campeão universitário em 110 metros barreiras e recordista em 83 metros barreiras), râguebi, futebol, voleibol, basquetebol, hipismo e esgrima.

Prestou serviço no Regimento de Cavalaria 4 (Santarém), Escola Prática de Cavalaria (Torres Novas e Santarém) e Regimento Cavalaria 7 (Lisboa). Desempenhou funções de Instrutor de Educação Física, na Escola do Exército, foi Comandante do Corpo de Alunos do Colégio Militar, Chefe da Repartição de Instrução da Direcção da Arma de Cavalaria e foi Comandante do Centro de Educação Física Equitação e Desportos. Como Oficial General desempenhou as funções de Comandante da Região Militar do Sul (1979/81), Director do Serviço de Justiça e Disciplina do Estado Maior do Exército (1981/83), Director da Arma de Cavalaria (1983/84), Comandante da Região Militar de Lisboa/Governador Militar de Lisboa (1984/87), Juíz Vogal do Supremo Tribunal Militar (1987/93).

Cumpriu comissões em África, em Angola (1961/63), na Guiné (1965/67) e (1965/67) e S. Tomé e Princípe (1971/74). Recebeu 22 louvores individuais e 2 colectivos da Companhia de Cavalaria que comandou em Angola.

Recebeu várias condecorações por valor militar e serviços distintos e de Comendador da Ordem de Mérito Militar do Brasil. Após 25 de Abril de 1974 foi Delegado da Junta de Salvação Nacional no Ministério do Trabalho e foi Delegado da Assembleia do MFA, eleito na Região Militar de Tomar (1974/75).Passou à Reserva em 1987 e à Reforma em 1995*.

Esta não foi uma vida comum. Destacou-se como atleta ainda jovem, e como atleta olímpico enquanto jovem adulto. Marcou toda a sua vida pela correcção da conduta, disciplina e verticalidade manifesta também nas suas palavras.

Dedicou a sua vida ao serviço de Portugal não só como atleta mas, acima de tudo, como militar cujo carácter e experiência despertava o respeito, a atenção, a admiração. Distinguia com profunda clareza a correcção de atitudes e convidado a usar da palavra era de tal maneira claro que sugeria o movimento de uma espada – clareza, propósito, determinação. Os combates eram leais como as suas palavras às quais dedicou igual força ao redigir dois livros publicados em vida.

O encontro proporcionado pela homenagem que lhe foi prestada pela Faculdade de Motricidade Humana através do Centro de Estudos de Desenvolvimento do Desporto – Noronha Feio permitiu comprovar o respeito e profundo afecto com que era rodeado pelos seus pares olímpicos e a vibração contida que as palavras inequívocas por si enunciadas desencadearam entre os mais novos. Partiu no dia 21 de Janeiro, com a mesma discrição e generosidade com que percorreu uma longa vida ao serviço de Portugal e dos portugueses.

Que o seu exemplo e a sua presença numa última conferência pública efectuada na nossa escola nos inspire sempre. Não se pode ser um grande atleta se não se fôr, em primeiro lugar, gente de bem que pugna pelo bem a cada momento. Obrigada General Ricardo Durão.

*Dados retirados do livro de Ricardo Durão (2015) Ricardo Durão – A Minha Vida.

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